EDUCAÇÃO NOS DIAS DE HOJE

A importância do conteúdo para as aulas práticas

 

Uma pequena reflexão sobre a população de estudantes contemporâneos leva os docentes a fazer uma pergunta em comum: o que de fato os alunos querem? Indubitavelmente, esse é um questionamento difícil de responder.
Da mesma forma que o jovem quer tudo que está ao alcance dele, também se mostra como um indivíduo que parece não querer nada. Coisa alguma lhe interessa, tornando-se difícil estimulá-lo sempre, visto que não consegue enxergar a conexão entre as disciplinas estudadas e a vida extraclasse.

Acredito que todos os professores, em todas as disciplinas, um dia já se perguntaram também: o que eu posso fazer para tentar reverter esse quadro? De uma maneira geral, a resposta para tal pergunta passa por um caminho teoricamente já desvendado, mas difícil de ser trilhado: as tão comentadas e solicitadas aulas diferenciadas, as quais vão além do que o aluno está acostumado.

E o primeiro paradigma a ser quebrado é o fato de que tais aulas diferentes, muitas vezes, não constituem aulas fora da sala. Qualquer docente pode elaborá-las com estratégias inicialmente incomuns às aulas dele, atraindo, dessa forma, o aluno, sem excluir o conteúdo específico que precisa ser ministrado.

Como docente da disciplina de Ciências, um dos maiores questionamentos por parte dos alunos são as aulas práticas, o que não acontece com todas as disciplinas. Concordo totalmente que a prática é um importantíssimo instrumento de aprendizagem para o aluno, mas é preciso ter certo cuidado quando se trabalha com esse recurso, pois só se pode praticar aquilo que já se sabe.

Como dialogar com o desconhecido? É possível, em alguns casos, aprender apenas com a prática, mas nada faz mais sentido do que ter a percepção intelectual, ou parte dela, e aperfeiçoá-la com uma atividade lúdica.

Para isso ocorrer, é necessário o conhecimento prévio do aluno, e é justamente esse um dos principais empecilhos. O mundo moderno disponibiliza ao aluno diferentes recursos tecnológicos; o que, infelizmente, faz com que ele fique mais indolente e cada vez mais sem desejo de adquirir conhecimento. Resultado: o educando cresce com uma vivência muito inócua, o que influencia diretamente na captura prévia do saber.

Recursos como a internet, por exemplo, oferecem uma grande variedade de informação útil; porém, o jovem de modo geral, não a usa para tal finalidade. Sendo assim, voltamos para a importância da sala de aula, na qual o aluno vai construindo o próprio conhecimento, à medida que este vai sendo transmitido pelo professor.

Uma aula prática, cujos conteúdos não estejam bem fundamentados para o aluno, torna-se para ele mera brincadeira, ou seja, um passatempo divertido para aquele momento, que certamente será considerado pelo discente como deficitário. No entanto, para o professor não será, pois os objetivos traçados para aquela aula terão sido atingidos.

Se o aluno compreender bem a razão pela qual ele está participando daquela aula prática, certamente o retorno que o professor receberá será positivo. Dessa forma, não só a qualidade da aula influenciará, mas também o quantitativo dela. Aprender ciências na prática é igual a jogar vídeo game: quanto mais se pratica, mais se aprende.

Por isso, acredito que o colégio com um espaço reservado para aulas práticas, como laboratório, por exemplo, e que tenha um calendário específico, incluindo as aulas de forma permanente e não apenas como caráter opcional do professor, tem uma grande vantagem sobre os demais.

Por melhor qualificado e intencionado que seja o professor de ciências, sem as ferramentas corretas, fica muito difícil aplicar as práticas. A quantidade de barreiras a serem vencidas é tanta, que uma hora ele poderá desistir. Logo, a perseverança e a determinação, nesse momento, são indispensáveis e vitais.

A aula prática não é o único recurso para se ministrar uma aula diferenciada, mas ela proporciona ao aluno a chance de realmente fazer algo  concreto; para o professor, torna-se uma oportunidade única de mostrar aos alunos a aplicabilidade de toda aquela teoria discutida em sala.

Thiago Oliveira
Docente de Ciências e de Laboratório do Instituto Pio XI
Com formação em MBA em Gestão Ambiental pela COPPE – UFRJ


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